Contaminação de alimentos por agrotóxicos, fungos,
hormònios e bactérias
Sinopse
O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxico: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.
O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxico: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.
O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os
venenos, quanto para os cidadãos, que consumem os produtos agrícolas. Só quem
lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. A idéia do filme é
mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente, por conta
de um modelo agrário perverso, baseado no agronegócio.
Agrotóxicos: Contaminação dos alimentos e
a saúde pública / Data: 18/04/2011
Em nome da correria do dia-a-dia, a alimentação variada
de antigamente, com legumes, verduras e frutas, tudo cozido e até mesmo
plantado em casa, deu lugar a pães, bolachas, comidas instantâneas e enlatados.
Um ditado indiano diz que a gente é aquilo que come. A alimentação sempre ocupou lugar de destaque desde as sociedades milenares. As pessoas comiam para satisfazer as necessidades do corpo, mas também da mente. A comida também se encarregou de perpetuar culturas de povos, passando receitas e costumes de geração para geração, até os dias de hoje. No entanto, se a gente é o que come, não temos muito o que comemorar. Em nome da correria do dia-a-dia, a alimentação variada de antigamente, com legumes, verduras e frutas, tudo cozido e até mesmo plantado em casa, deu lugar a pães, bolachas, comidas instantâneas e enlatados.
Um ditado indiano diz que a gente é aquilo que come. A alimentação sempre ocupou lugar de destaque desde as sociedades milenares. As pessoas comiam para satisfazer as necessidades do corpo, mas também da mente. A comida também se encarregou de perpetuar culturas de povos, passando receitas e costumes de geração para geração, até os dias de hoje. No entanto, se a gente é o que come, não temos muito o que comemorar. Em nome da correria do dia-a-dia, a alimentação variada de antigamente, com legumes, verduras e frutas, tudo cozido e até mesmo plantado em casa, deu lugar a pães, bolachas, comidas instantâneas e enlatados.
O resultado dos novos hábitos foi comprovado em
agosto de 2010. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
divulgou pesquisa em que mostra que a obesidade já é uma epidemia no país.
Desde a década de 70, o déficit de alimentação diminuiu, mas o excesso e a
obesidade estouraram. Tanto que o IBGE estima que, se for mantido o ritmo de
crescimento de pessoas acima do peso, em apenas 10 anos o Brasil terá se
igualado aos Estados Unidos.
Ou seja, o brasileiro está comendo mais, no entanto, com
menos qualidade, como explica a nutricionista Regina Miranda, presidente do
Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável do Rio Grande do Sul
(Consea). "Há exemplo do trigo, batata, derivados de trigo como pão e
macarrão, são dominantes numa dieta diária. Isso, sem sombra de dúvida,
empobreceu a alimentação".
A má alimentação não se restringe apenas a ter uma dieta
empobrecida e com pouca variedade por causa da dita falta de tempo. Também é
consequência de um novo padrão alimentar que vem sendo imposto com a
industrialização dos alimentos. As pessoas têm comida barata à
disposição, mas com pouco valor nutritivo, carregado de açúcar, sal,
conservantes e gordura hidrogenada. A mudança na alimentação, embora atinja
toda a sociedade, é mais perversa entre os mais pobres, analisa Regina Miranda.
"O que faz com que as pessoas muito pobres, que têm uma
renda baixa, acabam mais destes alimentos porque são mais baratos.
Alimentam maior número de pessoas durante o mês. O resultado disso tudo é
uma humanidade obesa. É um sistema que obesifica as pessoas, que adoecem muito
de doenças relacionadas a maus hábitos alimentares como diabetes, pressão alta,
cardiopatia". Neste novo padrão, a comida deixou de ser um alimento e
passou a ser tratada como uma mercadoria, vendida aos consumidores, à
população. Quem nunca escolheu, no supermercado, a laranja maior, mais
lustrosa, a mais bonita? São essas as características que definem o valor
nutricional dos alimentos? Há prateiras específicas até mesmo para as
crianças, com bolachas e salgadinhos com carinhas e diversos sabores.
Para a nutricionista Regina Miranda, não é a aparência o que
deve contar na hora de optarmos por uma alimentação mais saudável, e sim a sua
essência. "Não comemos mais alimentos, comemos mercadoria. Aquilo que
vou comer estão embutidos outros valores em troca que não são
necessariamente importantes para a minha saúde. Tem valor como uma mercadoria
que tem que gerar lucro, tem que ter tempo de prateleira, estar maquiada".
Muitas vezes, a comida mais bonita e que pode parecer mais
apetitosa aos olhos não é necessariamente a melhor para a nossa saúde. Isso
porque, para deixarem o alimento com essa "boa" aparência, os
agricultores usam agrotóxicos na hora de plantar e produzir. Em 2009, o
Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o líder mundial no
uso de veneno agrícola. Foram consumidos 1 bilhão de litros por ano no
país. É como se cada brasileiro consumisse, em média, 5 litros de veneno por
ano.
A pesquisadora Rosany Bochner coordena o Sistema Nacional de
Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX). Ligado à Fundação Oswaldo Cruz, o
sistema centraliza e divulga os casos de envenenamento e intoxicação
registrados na rede nacional. Os casos mais registrados pelo sistema
são de efeito agudo, que ocorre quando a pessoa apresenta reações logo após a
intoxicação. No entanto, os casos crônicos, em que os efeitos aparecem após a
exposição por um longo período aos agrotóxicos, são em grande maioria e não se
restringem mais aos agricultores, que lidam diretamente com o veneno. De acordo
com Rosany, atinge toda a população, apesar das dificuldades para comprovar que
doenças que hoje afetam a população, como câncer, estão relacionadas aos venenos
agrícolas.
"Há 10 anos, com certeza não tinha o consumo que se tem
hoje. E se você olhar em termos de câncer e tudo mais, essas doenças aumentaram
bastante. Se olhar o mapa das doenças hoje, vê que algumas diminuíram com
saneamento, vacinas e com algumas coisas que foram feitas. E outras que vêm
aumentando. Até porque a vida média aumentou. Mas a questão do câncer chama
muito a atenção. Não sei se é uma coincidência, mas se ouve muito".
Ainda há os problemas ambientais, como lembra o integrante
da coordenação nacional da Via Campesina, João Pedro Stedile.
"Afetam o meio ambiente porque destroem os micronutrientes do solo, contaminam a água do lençol freático, evaporam e voltam com as chuvas. E finalmente, se incorporam com osalimentos e as pessoas que consomem estes alimentos acabam ingerindo pequenas doses permanentes de veneno que vão se acumulando no seu organismo e que afeta, em primeiro lugar, o sistema neurológico e, em segundo lugar pode degenerar as células e se transformar em câncer".
"Afetam o meio ambiente porque destroem os micronutrientes do solo, contaminam a água do lençol freático, evaporam e voltam com as chuvas. E finalmente, se incorporam com osalimentos e as pessoas que consomem estes alimentos acabam ingerindo pequenas doses permanentes de veneno que vão se acumulando no seu organismo e que afeta, em primeiro lugar, o sistema neurológico e, em segundo lugar pode degenerar as células e se transformar em câncer".
Em 2009, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)
constatou que mais de 64% das amostras de pimentão analisadas pelo Programa de
Análise de Resíduos de Agrotóxicos apontam quantidade de resíduo tóxico acima
do permitido. A Anvisa também encontrou , em todos os alimentos analisados,
resíduos de agrotóxicos que não são permitidos no Brasil justamente por
serem altamente prejudiciais.
A pesquisadora Rosany Bochner, da Fundação Oswaldo Cruz, desmistifica a ideia de que a quantidade de agrotóxicos utilizada é proporcional à escala de grãos produzidos no país.
A pesquisadora Rosany Bochner, da Fundação Oswaldo Cruz, desmistifica a ideia de que a quantidade de agrotóxicos utilizada é proporcional à escala de grãos produzidos no país.
"Em várias coisas ele [Brasil] não é o maior produtor.
É uma ilusão achar que o Brasil é o maior produtor de grãos e que precisaria
ser o maior consumidor [de agrotóxicos]. E o Brasil passou de segundo para
primeiro, não se iluda, foi exatamente quando os outros países proibiram o uso
de alguns produtos e nós não. Logicamente que se tinha uma oferta muito grande
de produtos que vieram para cá. Com certeza vieram com preço menor, que se
começou a consumir mais".
João Pedro Stedile responsabiliza o agronegócio e as grandes
empresas por impor esse modo de produção, baseado no uso de venenos químicos.
Ele sugere, por exemplo, a indenização das pessoas que sofreram com os
efeitos dos agrotóxicos. "Espero que algum dia, inclusive,
tenhamos leis suficientes não só para proibir o uso do veneno, mas para exigir
que estas empresas indenizem as famílias que tenham pacientes com enfermidades
decorrentes dosvenenos agrícolas". Fonte: RádioAgência
NP
Links
Segurança
alimentar: Wikipedia

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